terça-feira, 30 de janeiro de 2007
É engraçado
como nos modificamos ao longo dos anos. No meu caso, como eu me tornei tão parecida com o meu Pai. Nos pontos de vista, nas reacções... Nós, que antes tínhamos tantas divergências (que ainda as temos), que nunca fomos muito próximos (que ainda não o somos), que éramos tão diferentes, ao fim e ao cabo... E ainda somos, em muita coisa. Mas agora, que estamos distantes, sinto que o compreendo como nunca. Sinto que agora é que o estou a conhecer e a compreender... Fruto da distância, sim, mas também do crescimento. Meu, que ainda tenho 28 anos, e dele, que quando estamos longe de quem verdadeiramente gostamos também crescemos. Nos sentimentos, na relativização do que é ou não importante, na percepção daquilo que realmente conta e de quem realmente gosta de nós.
Porque será que o ser humano é assim? Porque será que só damos importância às coisas e às pessoas quando estão longe? Quando não as temos? Esta nossa tendência para subvalorizar quem sabemos que gosta de nós é terrível. Porque temos essas pessoas como certas na nossa vida, tendemos a acreditar que vão estar lá sempre para nós e de repente chega um dia e... Até nisso sou parecida com o meu Pai, na dificuldade em expressar os meus sentimentos. Não em relação ao meu amor, que é para mim a coisa mais fácil do mundo dizer "adoro-te", mas em relação à minha família, ao meu Pai e à minha Mãe. Acho que nunca lhes disse "gosto muito de si" e tenho pena. Mas tenho ainda mais pena de não ter sido educada nesse sentido, de não sentir por parte deles essa "abertura" para lhes demonstrar os meus sentimentos e o quanto eu gosto e preciso deles, mesmo que fisicamente longe...

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posted by Papoila at 11:32 | Permalink |


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